'Paisagens Sonoras’ é uma plataforma com registros sonoros imersivos e audiodescrição de paisagens naturais e pontos históricos de várias regiões do Estado pensado para o público de pessoas cegas e com baixa visão. O lançamento acontece na próxima quinta-feira (10/4), com ações presenciais no Recife e em Vicência
Foto: Estúdio Orra
Ouvir o vento atravessando os coqueirais de Maracaípe, o murmúrio do Rio São Francisco em Petrolândia ou o silêncio sagrado diante de uma capela barroca no Engenho Poço Comprido. Tudo isso, agora, pode ser vivido por meio da escuta. Com foco na acessibilidade para pessoas com deficiência visual, o ‘Projeto Paisagens Sonoras’ lança uma plataforma digital que transforma patrimônios culturais, naturais, arquitetônicos e históricos de Pernambuco em experiências sonoras imersivas. O lançamento acontece nos dias 10 e 11 de abril, com escutas públicas no Recife e em Vicência, interior do Estado.
A iniciativa criou um acervo inédito com 36 registros sonoros com audiodescrição, organizados em nove locais estratégicos de Pernambuco. Em cada local, foram realizadas, em média, quatro captações diferentes que descrevem a paisagem e também trazem informações históricas sobre cada local. Os conteúdos produzidos já se encontram disponíveis na plataforma www.paisagenssonoras.com.br com acesso gratuito.
Mais do que ouvir sons, o visitante é convidado a sentir a paisagem, por meio de um site navegável, intuitivo e acessível em celulares, tablets e computadores. Os áudios têm cerca de 60 segundos cada. Nosso desafio é traduzir o que se vê em som — transformar paisagens em experiências sensoriais, onde cada detalhe possa ser sentido pelos ouvidos.
Através do incentivo do Funcultura, o projeto desenvolve uma nova forma de contar a paisagem de Pernambuco por meio da audiodescrição, contribuindo para que pessoas cegas e com baixa visão, possam ter apropriação cultural sobre os patrimônios culturais, artísticos e naturais do Estado, desde sua concepção até a execução evidenciando a importância de ações voltadas para este público.
“A gente queria fazer diferente ao pensar as ações de acessibilidade não ao final do processo através de produtos artísticos adaptados onde a inclusão desse público é pensada posteriormente, e sim inverter o sentido da produção criando conteúdos específicos para essas pessoas e depois adaptado para o público em geral” disse Mateus diretor do projeto.
Para oferecer uma visão da riqueza paisagística e histórica do Estado, o projeto percorreu as quatro Macrorregiões do Estado, registrando sons que dialogam com a natureza e a história desses territórios. A seleção dos locais buscou valorizar para além dos pontos turísticos tradicionais, mas também espaços de preservação da natureza e da biodiversidade.
Na Região da Mata Norte, o município de Vicência foi mapeado a partir dos sons do Engenho Poço Comprido, da capela barroca, do baobá centenário e da vista da varanda da casa-grande.
Já na Mata Sul, os registros se concentraram em dois pontos: em Tamandaré, foram captados os sons da Praia dos Carneiros, do entorno da Capela de São Benedito e da faixa de areia; e, em Ipojuca, destaque para o ambiente da Praia de Maracaípe, com manguezais, coqueiral e áreas de dunas.
No Agreste Central, a cidade de Bonito revelou as cachoeiras Véu de Noiva, o som da mata, o vento entre as árvores e o canto de aves silvestres. No extremo do estado, a Região do Sertão de Itaparica foi representada por Petrolândia, onde foram captados o ambiente do Rio São Francisco, as ruínas da igreja submersa e o som fluvial característico do entardecer.
O projeto contou com uma equipe de mais de 20 profissionais, entre técnicos de som, cinegrafista, historiadores, designers e especialistas em acessibilidade.
Além da plataforma digital, o projeto também vai contar com a tecnologia QR Codes - tecnologia que permite armazenar e transmitir informações de forma rápida e prática, por meio de dispositivos móveis. Ao apontar a câmera para um cartão com QR Code, seja pelo celular ou tablet, por exemplo, o usuário é automaticamente direcionado para o conteúdo digital do site.
“A gente também quer levar a acessibilidade para onde ela raramente chega — aos espaços distantes dos grandes centros, onde a paisagem, história e cultura também têm muito a dizer, afirmou o idealizador do projeto”
O lançamento da plataforma será celebrado com dois dias de escutas coletivas. No dia (10/4), a ação será realizada no Recife. Pela manhã, a programação acontece na Escola EREM Amaury de Medeiros.
No turno da tarde, a programação se concentra na Praça do Arsenal, com participação da Associação Pernambucana de Cegos (APEC).
No dia (11/4), será a vez de Vicência, na Zona da Mata Norte, com escutas sensoriais no Museu Poço Comprido, com audições no turno da manhã e tarde.
Este trabalho é realizado com incentivo da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), Secretaria de Cultura e Governo de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura.
O ‘Projeto Paisagens Sonoras’ é uma realização idealizada e dirigida por Mateus Guedes, que também assina a pesquisa, a direção de fotografia e . A coordenação de produção ficou a cargo de Gabriela Oliveira, que também atuou como cinegrafista e responsável pela edição dos conteúdos audiovisuais.
A produção executiva foi conduzida por Hugo Dubeux, enquanto a produção local contou com a colaboração de Joana D’arc, Gabriel de Lisboa e Marlon Meirelles, assegurando o acompanhamento das gravações nos territórios. As ações do projeto foram realizadas em parceria com a produtora Nam.
A captação e finalização do som foram realizadas pela produtora Deriva, que atuou em parceria com a equipe de acessibilidade da Vouser Acessibilidade, garantindo que o conteúdo fosse produzido com recursos inclusivos desde a origem. A pesquisa histórica e contextualização dos espaços gravados foi conduzida pelo pesquisador patrimonial Eduardo Santana em parceria com o historiador Gabriel Ericssom.
A produção gráfica e visual contou com o trabalho do Estúdio Oba, responsável pelo design, e do Estúdio Orra, que assinou as fotografias complementares do acervo. A plataforma digital do projeto foi desenvolvida por Diego Cavalcanti, responsável por transformar a experiência sonora em um ambiente acessível e navegável. A assessoria de imprensa e gestão de mídias ficou sob a responsabilidade de Salatiel Cícero, articulando a divulgação institucional do projeto e sua presença nas redes sociais.
Serviço:
Recife
O quê: Projeto transforma paisagens de Pernambuco em experiência sensorial
Quando: Quinta-feira, 10 de abril
Onde:
Manhã - EREM Amaury de Medeiros – Rua São Miguel, 720 – Afogados, com jovens estudantes de escola pública, das 10h às 11h;
Tarde - Praça do Arsenal, com público de pessoas cegas e de baixa visão através da APEC (Associação Pernambucana de Cegos), das 14h30 às 15h30 no recife antigo.
Vicência
Quando: Sexta-feira, dia 11 de abril
Onde:
Manhã
Museu Poço Comprido, localizado no Engenho Poço Comprido, 00, zona rural, Vila Murupé, município de Vicência, com público de pessoas cegas e de baixa visão através da APEC (Associação Pernambucana de Cegos); das 10h às 11h.
Tarde
Museu Poço Comprido, localizado no Engenho Poço Comprido, 00, zona rural, Vila Murupé, município de Vicência, com jovens estudantes da EREM Padre Guedes, das 14h às 15h.
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